sexta-feira, 15 de julho de 2011

"Campos Desérticos"


Deserto

Sou um leitor contumaz, que fique bem claro! Adoro as facilidades proporcionadas pela tecnologia, pois hoje com apenas um "click" podemos saborear textos maravilhosos escritos por famosos e anônimos. Temos também os "E-Books" disponíveis para serem baixados, sites de revistas e jornais, toda essa gama de informação e entretenimento, e mesmo assim as pessoas estão vazias de relacionamentos reais, de vida real, de sonhos.
 As pessoas estão buscando mostrar nas redes sociais algo me mereça um "RT", um "LiKe" e com isso esquecendo sua essência e a essência do outro. Esquecem que atrás da foto do perfil existe um ser humano, é a cultura da aceitação. A jornalista Elaine Tavares diz: "É a triste solidão de estar vazio, de não ter mais sonhos, projetos, essas molas que nos tocam para frente, a utopia. A certeza aparentemente absurda de se olhar um campo vazio e saber que ali nascerão flores."  Ela está cheia de razão.
Vejo pessoas consideradas "super-stars" das redes sociais que não tem absolutamente nada a dizer, são seguidos apenas pela fama que construíram em outras atividades. Não tenho nada contra quem segue seus ídolos nas redes, é um direito que a liberdade de escolha lhe garante. Mas, será que perder o bem mais precioso da sua vida, que é o tempo, para acompanhar o que diz uma pessoa que não tem interesse nenhum em você, que não quer que se desenvolva um pensamento crítico e analítico, para aí sim se ter o verdadeiro poder da escolha, aquele que é exercido com sabedoria e conhecimento. Entrei nesse assunto apenas para ter um ponto de partida para falar de um outro que influencia diretamente nossas vidas: a escolha dos nossos representantes. Vejo nossa sociedade tão desprovida de sonhos e objetivos "em comum" nos últimos tempos; como se pensássemos, a qualquer momento acontecerá um milagre e num átimo de segundo o mundo de transformará em um lugar melhor pra de viver; ledo engano. Só quem pode melhorar nosso planeta somos nós, ele é responsabilidade nossa. Quando vejo políticos corruptos renunciando para não serem cassados e sendo eleitos nas próximas eleições, só posso imaginar uma coisa, a super-exposição, seja ela para o bem ou para o mal, e para essa gente uma maneira de ficar conhecido de graça, e isso vale também para os campeões das redes sociais, os participantes de reality shows e todos aqueles que buscam a fama pela fama, o lucro pelo lucro. Quando uma empresa patrocina uma instituição administrada de forma obscura, a empresa está buscando aparecer de qualquer maneira, está querendo o lucro pelo lucro. Cadê a responsabilidade social de que tanto se fala? As pessoas acreditam que só grandes atos podem gerar transformação, porém, a verdadeira mudança só pode acontecer com a soma de pequenas atitudes, só assim teremos enraizado o espírito participativo. 
Para finalizar deixo este texto para reflexão:


 O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Bertolt Brecht